
Glossário fiscal e de gestão para distribuidoras
Termos e siglas que aparecem nos conteúdos da Domtec, explicados de forma direta — sem jargão desnecessário. Esta página é atualizada conforme novos termos aparecem nos artigos do blog.
Reforma tributária
IBS — Imposto sobre Bens e Serviços
Tributo estadual e municipal que vai substituir gradualmente o ICMS e o ISS dentro da reforma tributária (Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025). É cobrado "por fora" do preço, com crédito amplo e não cumulativo, seguindo o princípio do destino — ou seja, o imposto pertence ao local onde o produto ou serviço é consumido, não onde é produzido.
CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços
Tributo federal que vai substituir o PIS e a Cofins, seguindo a mesma lógica de não cumulatividade plena e cobrança "por fora" do preço. Junto com o IBS, forma o modelo de IVA dual criado pela reforma tributária.
Split Payment
Mecanismo em que o valor do IBS e da CBS é segregado automaticamente no momento da liquidação financeira da venda, indo direto ao poder público sem passar pelo caixa de quem vendeu. Muda a disponibilidade de caixa da empresa mesmo quando o resultado tributário final é neutro. A obrigatoriedade, originalmente prevista para o primeiro trimestre de 2027, foi adiada pela Receita Federal para 2028 — 2027 passa a ser uma fase facultativa, começando por transferências eletrônicas e expandindo depois para Pix e outros meios de pagamento.
DARF — Documento de Arrecadação de Receitas Federais
Guia usada para o recolhimento de tributos federais. No modelo atual, a empresa recebe o valor integral da venda e só recolhe o tributo correspondente no vencimento do DARF — normalmente duas a seis semanas depois, dependendo do tributo e do regime. É justamente esse intervalo que deixa de existir com o split payment, já que a retenção passa a ocorrer na hora da liquidação da venda.
Simples Nacional híbrido
Modalidade em que uma empresa optante pelo Simples Nacional adere voluntariamente ao mecanismo de split payment para IBS/CBS, mantendo o regime simplificado para os demais tributos. O Simples Nacional tradicional fica de fora da fase facultativa de 2027, voltada a empresas do Lucro Real, Lucro Presumido e a esses regimes híbridos.
Crédito não cumulativo
Mecânica em que o imposto pago em cada compra vira crédito integral para abater do imposto devido na venda seguinte, evitando o efeito cascata (imposto sobre imposto) que existe hoje em vários tributos, inclusive em regimes cumulativos de PIS/Cofins.
Substituição Tributária (ICMS-ST)
Regime do modelo atual em que a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS de toda a cadeia é antecipada para um único elo — geralmente a indústria ou o importador — com base numa margem de valor agregado presumida. É um dos mecanismos que tende a perder espaço com a chegada do IBS.
Gestão e operação
Markup
Percentual aplicado sobre o custo de um produto para chegar ao preço de venda, cobrindo despesas, tributos e a margem de lucro desejada. Quando calculado sem separar custo de mercadoria e carga tributária, é o primeiro lugar onde distorções de reforma tributária aparecem sem serem percebidas.
CFOP — Código Fiscal de Operações e Prestações
Código numérico que identifica a natureza de cada operação — venda, transferência, devolução, entre outras — dentro de uma nota fiscal. É um dos pontos mais comuns de erro na emissão de NF-e, porque o CFOP precisa ser coerente com a operação real e com a tributação aplicada.
Lead time
Tempo total entre a colocação de um pedido e a efetiva entrega ao cliente, incluindo separação, expedição e transporte. Quanto mais etapas manuais existem nesse trajeto, maior tende a ser o lead time — e maior o risco de erro em cada uma delas.
Indústria e produção
Gargalo de produção
Etapa de uma linha de produção cuja capacidade é menor do que a demanda que chega até ela, limitando tudo o que a fábrica consegue entregar no fim do processo. Nem sempre é uma máquina — pode ser um posto de trabalho manual, uma aprovação ou a disponibilidade de um insumo.
Teoria das Restrições (TOC)
Método de gestão criado pelo físico Eliyahu Goldratt, focado em identificar e proteger o gargalo de um sistema produtivo em vez de tentar acelerar todas as etapas por igual. Organiza a gestão do gargalo em cinco passos: identificar, explorar, subordinar, elevar e repetir.
Throughput (ganho)
Quantidade de produto que sai pronto para vender no fim da linha de produção, no ritmo definido pelo gargalo. É o indicador usado para decidir onde investir capacidade — em vez da utilização isolada de cada máquina, que pode induzir a investimentos na etapa errada.
Estoque e compras
Curva XYZ
Classificação de estoque que agrupa os produtos pela previsibilidade da demanda, não pelo valor: X para itens de venda estável, Y para variação moderada (geralmente sazonal) e Z para demanda instável, com picos e vales difíceis de antecipar. É calculada a partir do coeficiente de variação do histórico de vendas de cada item.
Coeficiente de variação (CV)
Medida estatística que indica o quanto a demanda de um produto oscila em torno da própria média, calculada dividindo o desvio padrão das vendas mensais pela média de vendas do período. Quanto maior o CV, menos confiável é usar a média para prever quanto vender no mês seguinte — é a base numérica por trás da Curva XYZ.
Matriz ABC-XYZ
Cruzamento entre a Curva ABC (valor do produto) e a Curva XYZ (previsibilidade da demanda), formando nove combinações — de AX (alto valor, demanda estável) a CZ (baixo valor, demanda instável). Cada combinação pede uma política de estoque diferente, sendo AZ a que concentra o maior risco por unir alto impacto financeiro a baixa previsibilidade.
Rastreabilidade e compliance
Bloco K — Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque
Bloco do SPED Fiscal que controla a relação entre compras, produção, consumo e estoque em nível mensal e por produto — quanto entrou, quanto foi produzido, quanto foi consumido, quanto sobrou no fim do período. É obrigatório para indústrias de determinados CNAEs e faixas de faturamento, mas não entra no nível de lote individual: não identifica de qual lote específico veio um produto, nem para qual cliente ele foi vendido. Não deve ser confundido com rastreabilidade de lote, que é um controle diferente, com objetivo diferente.
FEFO — First Expired, First Out
Regra de rotatividade de estoque em que o lote com validade mais próxima deve ser o primeiro a sair, não necessariamente o que chegou primeiro (isso seria FIFO — First In, First Out). Para produtos com validade, o FEFO reduz perdas por vencimento, porque evita que um lote mais novo seja vendido enquanto um mais antigo — e mais perto de vencer — fica esquecido no fundo do estoque.
Gestão financeira
PDD — Provisão para Devedores Duvidosos
Reconhecimento contábil de que parte dos recebíveis de clientes provavelmente não vai ser paga, feito com base no histórico de inadimplência da carteira. É um efeito posterior ao problema — quanto melhor o controle preventivo de limite de crédito por cliente, menor tende a ser o volume que a empresa precisa provisionar.
Limite de crédito
Valor máximo que uma empresa está disposta a manter em aberto (pedidos faturados e ainda não pagos) com um cliente específico, ao mesmo tempo. Diferente do prazo de pagamento — que define quando o cliente paga — o limite de crédito define até quanto pode estar pendente antes de novas vendas a prazo serem bloqueadas ou precisarem de aprovação manual.
Não achou um termo aqui? Se for recorrente na rotina da sua distribuidora, indústria ou loja, ele entra na próxima atualização deste glossário.