
Montagem de carga: como reduzir o custo por entrega
Na distribuição, o frete próprio é um dos maiores custos depois da mercadoria, e o jeito de montar a carga define quanto cada entrega custa. Pedidos misturados de várias regiões, caminhão que sai com meia carga e rota que cruza a cidade fazem o custo por entrega subir sem que ninguém perceba. Veja como montar a carga considerando peso, volume e ordem de entrega, um exemplo com números e quais indicadores acompanhar.
Para a distribuidora e o atacado com frota própria, a entrega faz parte do produto: o cliente compra o item e espera receber no dia combinado, completo e sem avaria. O custo desse serviço fica espalhado entre combustível, motorista, manutenção e pedágio, e raramente aparece dividido por entrega.
É aí que a montagem de carga pesa. Dois caminhões com os mesmos pedidos podem ter custos muito diferentes dependendo de quais pedidos foram juntados, em que ordem foram carregados e que rota o motorista fez. A decisão acontece antes de o caminhão sair, e depois dela o custo já está definido.
O que é montagem de carga
Montagem de carga é a etapa em que a distribuidora decide quais pedidos aprovados vão em qual veículo, com qual motorista e em que ordem de entrega. Ela fica entre a aprovação do pedido e a separação da mercadoria, e define o que será separado, carregado e entregue em cada viagem.
Uma boa montagem respeita o que o veículo aguenta (peso e volume), agrupa as entregas que ficam na mesma região e organiza o carregamento para que o primeiro cliente da rota seja o último a entrar no caminhão. O resultado é menos quilômetros, menos tempo parado e menos erro de entrega.
Como calcular o custo por entrega
Antes de otimizar, é preciso medir. O custo por entrega mostra quanto a empresa gasta, em média, para levar uma venda até o cliente.
Custo do frete sobre a venda = custo diário do veículo ÷ valor entregue no dia
O custo diário reúne motorista (salário e encargos do dia), combustível, manutenção e desgaste, depreciação ou aluguel do veículo, pedágio e seguro. Quem só conta o combustível enxerga uma fração do custo real, como acontece com o custo de produção na indústria.
As variáveis de uma boa carga
- Peso. Cada veículo tem um limite de carga. Passar dele gera risco, multa e desgaste. Ficar longe dele significa pagar o caminhão inteiro para transportar pouco.
- Volume (m³). Produtos leves e volumosos, como embalagens vazias ou itens de plástico, enchem o baú antes de atingir o peso. Olhar só o peso faz a carga parecer pequena e não caber.
- Valor da carga. Cargas de alto valor pedem atenção ao seguro e ao risco. Somar o valor por veículo ajuda a não concentrar toda a exposição em uma viagem.
- Região e cidade. Agrupar entregas próximas é o principal ganho de custo. Um dia de entrega por região, quando o cliente aceita, concentra a rota e dilui o custo entre mais clientes.
- Ordem de entrega. Quem será atendido primeiro precisa ser o último a entrar no caminhão. Carregar na ordem errada obriga o motorista a mexer na carga em cada parada.
- Tipo de produto. Itens frágeis, perecíveis ou que exigem separação diferente precisam de tratamento próprio, e a montagem deve prever o espaço para isso.
Peso e volume: o erro do caminhão que "não enche"
Um caso comum é o veículo que parece vazio e não aceita mais um pedido. O peso está em 55% da capacidade, mas o baú está cheio, porque a carga é leve e volumosa. Quem decide só pelo peso monta uma segunda viagem sem necessidade ou deixa de aproveitar o espaço quando os produtos são densos.
O contrário também acontece: um caminhão com produtos pesados, como bebidas ou materiais de construção, atinge o limite de peso com metade do volume ocupado. Por isso a montagem precisa olhar peso e volume ao mesmo tempo e levar em conta qual dos dois limita aquela carga em particular.
Pedido que não cabe e estoque que não cobre
A montagem de carga também sofre com problemas anteriores. Quando o estoque não cobre todos os pedidos aprovados, a empresa precisa decidir quem recebe o quê: cortar quantidades, distribuir o saldo de forma igual ou proporcional ou oferecer um produto similar. Se essa decisão é tomada na hora de carregar, a rota já foi desenhada para pedidos que não vão sair completos.
O ideal é resolver o corte antes da montagem, para que a carga reflita o que realmente será entregue. Isso evita viagem para entregar pedido incompleto, devolução e retrabalho.
Quando entregar não compensa: pedido mínimo e frete
Algumas entregas custam mais do que rendem. Um cliente distante, com pedido pequeno e fora da rota habitual, pode custar R$ 100 de entrega para uma margem de R$ 60. A solução raramente é recusar o cliente: costuma ser definir um pedido mínimo por região, um dia fixo de entrega ou uma cobrança de frete, nos modelos de despacho de cargas que a empresa adotar.
Também vale agrupar os pedidos do mesmo cliente. Dois pedidos no mesmo dia, em entregas separadas, custam duas paradas. Juntos, custam uma.
Por onde começar: uma rotina simples de montagem
Não é preciso um projeto grande para melhorar a montagem. Uma rotina de cinco passos, repetida todos os dias, já muda o custo por entrega:
- Fechar a lista de pedidos aprovados do dia seguinte até um horário fixo, para que a montagem não dependa de pedidos que chegam depois.
- Resolver os cortes de estoque antes de montar, para saber o que realmente sai.
- Agrupar por região e por cidade, respeitando os dias de entrega combinados com os clientes.
- Conferir peso e volume de cada veículo e ajustar o que passou do limite ou ficou longe dele.
- Definir a ordem de entrega e imprimir o carregamento na ordem inversa, para o time de separação e expedição.
Depois de algumas semanas, os dados da própria rotina mostram onde há folga: regiões com pouca entrega, veículos que saem sempre com meia carga e clientes que geram entregas fora do padrão. É nesse ponto que vale discutir pedido mínimo, dia fixo por região ou revisão do tamanho da frota.
Indicadores para acompanhar
- Custo por entrega e custo do frete sobre a venda. A base para saber se a operação está melhorando.
- Ocupação do veículo, em peso e em volume. Mostra quanto da capacidade está sendo usado.
- Entregas por viagem. Quanto mais clientes por rota, menor o custo de cada um.
- Devoluções por erro de carga. Pedido trocado, item faltando ou avaria somam custo e desgaste com o cliente.
- Entregas no prazo e completas. O OTIF mede quantos pedidos chegaram no prazo e sem faltas, e mostra o efeito prático da montagem sobre o cliente.
Erros comuns na montagem de carga
- Montar a carga no improviso, no pátio. Sem visão de peso, volume e região, o motorista decide na hora e a rota sai mais longa.
- Olhar só o peso. O baú enche antes do limite de peso, ou o contrário, e o veículo sai mal aproveitado.
- Carregar fora da ordem de entrega. O motorista perde tempo mexendo na carga em cada parada.
- Misturar regiões no mesmo veículo por conveniência. A rota cruza a cidade e o número de entregas por dia cai.
- Não medir o custo por entrega. Sem esse número, nenhuma melhoria aparece.
- Montar a carga antes de resolver o corte de pedido. O caminhão sai planejado para um pedido que não será entregue completo.
Veja no vídeo como a montagem de carga funciona no Yzidro.
Assista no canal da Domtec: Montagem de Carga para Indústria, Atacado e Distribuição
Como o Yzidro ERP ajuda na montagem de carga
- Carga montada no improviso → na montagem de carga do Yzidro, o usuário escolhe quais pedidos vão em qual veículo e motorista, com filtros por cidade, região, vendedor e local de estoque.
- Não saber se o veículo comporta → a carga soma valor, peso líquido, peso bruto e volume em m³, para conferir se o veículo suporta o que foi escolhido antes de fechar.
- Ordem de entrega → a ordem é definida manualmente ou vem da integração com uma plataforma de roteirização, e a impressão do carregamento sai em ordem decrescente de entrega, para carregar primeiro o que será entregue por último.
- Estoque que não cobre os pedidos → o corte de pedido mostra o vendido e o disponível por produto e permite redefinir quantidades, distribuir o estoque igual ou proporcionalmente entre os pedidos ou trocar por um produto similar, antes da montagem.
- Separação e conferência na saída → as impressões trazem a listagem por pedido com a localização do produto, o carregamento total e o itinerário por cidade, e a expedição pode ser feita por leitura de código de barras, com alerta quando se bipa além do pedido.
- Faturar a carga → o faturamento pode ser feito por carga, com contas a receber, NF-e e boletos gerados filtrando pela carga, que passa por status de digitação, fechada, faturada e entregue.
Perguntas frequentes sobre montagem de carga
Qual a diferença entre montagem de carga e roteirização?
A montagem de carga define quais pedidos vão em cada veículo e em que ordem serão carregados. A roteirização define o caminho que o veículo percorre para entregar. A carga bem montada facilita a rota, e as duas etapas juntas reduzem o custo por entrega.
Como calcular o custo por entrega?
Divida o custo diário do veículo, que soma motorista, combustível, manutenção, depreciação e pedágio, pelo número de entregas feitas no dia. Um caminhão de R$ 1.200 por dia que faz 16 entregas custa R$ 75 por entrega. Vale acompanhar também o custo do frete sobre o valor vendido.
Devo montar a carga pelo peso ou pelo volume?
Pelos dois. Produtos leves e volumosos enchem o baú antes de chegar ao limite de peso, e produtos pesados fazem o contrário. A montagem precisa conferir peso e volume ao mesmo tempo e considerar qual deles limita aquela carga.
Por que carregar na ordem inversa da entrega?
Porque o que entra por último sai primeiro. Se o primeiro cliente da rota é o último a ser carregado, o motorista acessa o pedido sem mexer no restante da carga, ganha tempo em cada parada e reduz o risco de avaria e de troca de pedido.