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Split payment adiado: o que o financeiro deve fazer em 2027
Atacado e Distribuição, Gestão Empresarial

Split payment adiado: o que o financeiro deve fazer em 2027

Equipe Domtec SistemasPublicado em

O split payment, que separa o imposto no momento do pagamento, deveria começar com a CBS em 2027, mas as reportagens de agosto e setembro de 2026 indicam que ele não estará disponível em janeiro: a adoção será facultativa e a obrigatoriedade entre empresas aparece para 2028. Ainda assim, quem cuida do caixa não deve tratar o assunto como distante. Veja como o split payment funciona, o que mudou no calendário, o efeito no caixa em um exemplo com números hipotéticos e o que a distribuidora e a indústria podem organizar desde já.

Pouca coisa na reforma tributária mexe tanto com o caixa quanto o split payment. Hoje, a empresa recebe o valor cheio da venda, com o imposto embutido, e recolhe o tributo na apuração seguinte. Nesse intervalo, o dinheiro do imposto fica à disposição da operação. Com o split, essa folga tende a diminuir, porque o imposto é separado no instante em que o cliente paga.

A novidade das últimas semanas é o calendário. Depois da reunião do Comitê Gestor do IBS em 12 de agosto de 2026, a informação divulgada foi que o split não estará disponível em janeiro de 2027. A Receita Federal, em entrevista noticiada no fim de agosto, indicou 2028 como previsão para a obrigatoriedade nas vendas entre empresas. Isso dá tempo, e é justamente o tempo que o financeiro deve usar para se preparar.

O que é split payment

O split payment, ou pagamento dividido, é a retenção e a separação automática do valor da CBS e do IBS no momento da liquidação financeira da venda. Na prática, quando o cliente paga, a instituição financeira envolvida divide o valor em duas partes: uma segue para o fisco, e a outra, líquida do imposto, vai para o fornecedor. A base legal está nos artigos 31 a 33 da Lei Complementar 214/2025, e o glossário fiscal da Domtec traz uma definição resumida.

A lógica é combater a sonegação e a inadimplência fiscal: se o imposto é separado na liquidação, ele deixa de depender de a empresa lembrar de recolhê-lo. Para o fornecedor, o efeito é que o dinheiro que entra já vem sem a parcela do tributo.

Nem todo débito passa pelo split

Uma das fontes consultadas destaca um ponto que muda a conta: o mecanismo só é acionado se os débitos de CBS e IBS não tiverem sido quitados antes, seja por compensação com saldo credor, seja por pagamento antecipado. Em outras palavras, a empresa que tem créditos suficientes e os aproveita antes da liquidação tende a sentir menos o efeito da retenção. Como a regulamentação ainda não está fechada, esse é um ponto para confirmar com o contador, não uma regra a ser tomada como certa.

O que mudou no calendário

As reportagens consultadas concordam em alguns pontos e divergem em outros, e vale separar uns dos outros.

  • Em comum. O split não opera em janeiro de 2027. A adoção começa de forma facultativa e restrita às vendas entre empresas. O RAD, recolhimento pelo adquirente, fica como alternativa opcional em 2027.
  • 2028. A previsão de obrigatoriedade entre empresas em 2028 é atribuída à Receita Federal por duas das fontes.
  • Divergências. Uma das fontes diz que a infraestrutura está tecnicamente pronta para estrear no início de 2027, enquanto outras afirmam que não haverá operação em janeiro. Também variam o número de instituições financeiras homologadas citado e a lista de meios de pagamento.
  • Base normativa. Há menção de que o split ainda aguarda regulamentação conjunta da Receita e do Comitê Gestor do IBS.

Nenhuma dessas matérias cita o ato oficial publicado, então a recomendação é tratar as datas como previsões e acompanhar os comunicados da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

O efeito no caixa da empresa

O ponto central é o intervalo entre receber e recolher. Hoje, o imposto de uma venda a prazo costuma ser apurado no mês seguinte e recolhido depois disso. Quem vende a 30 ou 45 dias recebe o dinheiro, e o imposto já embutido pode ficar alguns dias a mais à disposição. Com o split, esse intervalo encurta ou desaparece.

Exemplo com números hipotéticosUma distribuidora fatura R$ 5 milhões por mês em vendas entre empresas e, nesse mês, o imposto destacado nas notas (CBS e IBS) soma R$ 570.000, algo próximo a 11,4% do valor da operação. As compras do mesmo período geraram R$ 380.000 em créditos, então o valor a recolher é de R$ 190.000. Sem split, a empresa recebe o valor cheio de R$ 5 milhões e paga os R$ 190.000 no mês seguinte. Em uma situação simplificada em que o split retivesse todo o imposto destacado na liquidação, a empresa receberia R$ 4.430.000 e só recuperaria os créditos depois, em compensação: o caixa do mês teria cerca de R$ 380.000 a menos do que hoje. Se ela conseguir quitar parte do débito antes, por compensação com crédito, a retenção cai. Os números são ilustrativos e sujeitos à regulamentação, mas mostram por que a projeção de caixa precisa mudar.
Hoje x split paymentResumo para fins educativos; regras dependem de regulamentação.COMO É HOJECOM SPLIT PAYMENTCliente paga o valor cheiovenda com imposto embutidoCliente paga o valor cheiovenda com imposto embutidoEmpresa recebe tudoimposto fica no caixa por um tempoInstituição separa o impostoCBS e IBS na hora da liquidaçãoEmpresa apura e recolheno período seguinteEmpresa recebe o valor líquidoo fisco recebe a sua parteCalendário citado nas reportagens de 20262027: split indisponível em janeiro; RAD opcional | 2028: previsão da Receitade obrigatoriedade entre empresas (a confirmar na regulamentação)
Como o imposto chega ao fisco hoje e como chegaria com o split payment.

Efeito para quem compra

O comprador também sente. Na alternativa do RAD, segundo uma das fontes, o crédito só pode ser aproveitado quando o débito do fornecedor é extinto. Isso liga a sua apuração à regularidade fiscal de quem lhe vende, e torna relevante saber se o fornecedor está em dia. Em um mercado em que indústrias e distribuidoras compram umas das outras, a cadeia inteira passa a olhar para a pontualidade tributária do parceiro.

O que organizar desde já

  1. Revisar o cadastro fiscal. NCM, CFOP e a classificação dos produtos precisam estar corretos, porque o imposto destacado na nota é a base do que será separado no pagamento.
  2. Conferir as notas de teste. Desde 3 de agosto de 2026, as notas trazem o destaque de teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), sem recolhimento efetivo. É uma boa oportunidade de ver se o sistema calcula e exibe os campos sem rejeição.
  3. Conciliar títulos por canal. Se cada pagamento chegar já dividido, a conciliação entre o que o cliente pagou, o que entrou e o imposto separado precisa ser simples. Títulos bem identificados são o ponto de partida.
  4. Refazer a projeção de caixa. Simular um cenário em que parte do imposto deixe de ficar disponível no recebimento, e quanto disso a compensação com créditos absorve.
  5. Mapear créditos. Saber o tamanho dos créditos e quando eles podem ser usados define a pressão sobre o caixa.
  6. Falar com o banco. Perguntar como e quando a instituição pretende oferecer o split, e para quais meios de pagamento.
  7. Avaliar o limite de crédito dos clientes. Se o imposto sai do recebimento, a margem de erro no prazo e na inadimplência diminui. Rever o limite de crédito ajuda a evitar vendas que o caixa não suporta.

Erros comuns ao se preparar para o split

  • Achar que o adiamento tira a urgência. A CBS começa em 2027 de qualquer forma, e a adoção facultativa do split pode chegar a parte dos clientes e bancos antes de 2028.
  • Tratar o split como assunto só do contador. O efeito é no caixa, e quem decide prazo de venda, compra e investimento é o financeiro e a diretoria.
  • Projetar o caixa como hoje. Uma planilha que ignora a retenção na liquidação mostra uma folga que pode não existir.
  • Esperar o sistema resolver. O ERP organiza os dados, mas a decisão sobre prazos, créditos e capital de giro continua com a empresa. O post sobre o impacto da reforma tributária no fluxo de caixa detalha esse raciocínio.
  • Decidir com base em uma só fonte. As datas e regras mudam e divergem entre veículos; o texto oficial é a referência.

Como o Yzidro ERP ajuda a preparar o caixa para o split payment

O split payment ainda depende de regulamentação, e o Yzidro não promete recursos que a norma não definiu. O que o ERP faz é manter organizada a base de dados de que a empresa vai precisar, qualquer que seja o formato final.

  • Entender o efeito da CBS e do IBS → o simulador de cálculo da reforma tributária ajuda a estimar o impacto dos novos tributos nas operações.
  • Projetar o caixa → o fluxo de caixa diário mostra entradas e saídas previstas e efetivas, e o tipo de pagamento aceita dias a compensar, o que aproxima a previsão da realidade.
  • Saber quanto entra por canal → o relatório de lançamentos recebidos agrupa por tipo de pagamento, o que mostra quanto entrou por boleto, Pix e cartão.
  • Acompanhar quem deve → o contas a receber por cliente mostra débito, saldo, limite de crédito e último vencimento, e o limite de crédito bloqueia novas vendas quando há título vencido.
  • Manter a base fiscal em dia → a classificação fiscal do produto e a entrada por XML com custo final alimentam o arquivo que o contador usa na apuração.

Quando a regulamentação do split for publicada, será a hora de confirmar com a Domtec o que ela exige do sistema. Até lá, o melhor investimento é ter dados limpos e uma projeção de caixa realista.

Perguntas frequentes sobre split payment

O que é split payment na reforma tributária?

É a separação automática do valor de CBS e IBS no momento da liquidação financeira da venda. Em vez de a empresa receber o valor cheio e recolher o imposto depois, a instituição financeira destina a parte do tributo ao fisco e repassa o restante ao fornecedor. A base legal são os artigos 31 a 33 da Lei Complementar 214/2025.

O split payment começa em janeiro de 2027?

Segundo as reportagens consultadas, não. O Comitê Gestor do IBS informou em agosto de 2026 que o mecanismo não estará disponível em janeiro de 2027, e a Receita Federal indicou 2028 para a obrigatoriedade nas vendas entre empresas. A adoção inicial é facultativa. Acompanhe a regulamentação oficial, porque as datas podem mudar.

O que é o RAD, alternativa citada para 2027?

É o recolhimento pelo adquirente, uma modalidade opcional em que o comprador participa do recolhimento do imposto. Segundo uma das fontes, o comprador só pode aproveitar o crédito quando o débito do fornecedor é extinto. Como as regras ainda dependem de regulamentação, o detalhe operacional deve ser confirmado com o contador.

A empresa precisa mudar o ERP por causa do split payment?

O mecanismo roda na estrutura dos bancos e do governo, e não dentro do ERP. O que a empresa precisa ter em ordem é a base que alimenta tudo isso: notas fiscais corretas, cadastro fiscal atualizado, títulos conciliados e uma projeção de caixa que considere o recebimento líquido de imposto. Os requisitos técnicos virão da regulamentação e dos fornecedores de sistema.

Este conteúdo tem caráter informativo e usa números hipotéticos. O split payment depende de regulamentação conjunta da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, e as informações aqui vêm de reportagens que divergem em alguns pontos, como datas e meios de pagamento. Antes de tomar decisões financeiras ou tributárias, confirme o texto oficial e valide o seu caso com o contador ou com um advogado tributarista.