
Custo de aquisição: como calcular o custo real da compra
O preço que está na nota do fornecedor quase nunca é o que a mercadoria custou. Entre o valor do produto e o custo real entram IPI, ICMS-ST, frete, seguro e outras despesas, e saem os impostos que a empresa recupera como crédito. Quem forma preço sobre o valor da nota vende com margem menor do que imagina. Veja o que entra e o que sai do custo de aquisição, como calcular com um exemplo e o que muda na conta a partir de 2027, com a Reforma Tributária.
Quer ver como o Yzidro calcula o custo final do produto direto do XML do fornecedor? Fale com a gente.
Para a distribuidora e o atacado, que revendem com margem curta, um custo de aquisição errado contamina o preço de venda, a margem e o resultado do mês. Na indústria, o mesmo erro na matéria-prima se espalha para o custo de todos os produtos que a usam.
O que é custo de aquisição
Custo de aquisição é tudo o que a empresa gasta para trazer a mercadoria até o estoque, pronta para vender ou produzir. Pela norma contábil de estoques (CPC 16), ele inclui o preço de compra, os impostos que não são recuperáveis, o transporte, o seguro e outros gastos diretamente ligados à compra, e exclui os descontos comerciais e os impostos que a empresa recupera como crédito.
O que entra e o que sai do custo
- Entra: valor dos produtos. O preço da nota, já com os descontos comerciais concedidos pelo fornecedor.
- Entra: impostos sem crédito. IPI, quando a empresa não aproveita o crédito, como acontece na maioria das distribuidoras, e ICMS-ST pago na compra.
- Entra: frete e seguro da compra. Quando pagos pela empresa, inclusive o frete contratado à parte.
- Entra: outras despesas da compra. Descarga, armazenagem de terceiros e despesas acessórias da nota.
- Sai: impostos recuperáveis. ICMS próprio, PIS e Cofins quando a empresa tem direito ao crédito, e IPI na indústria que credita.
- Sai: verbas e bonificações do fornecedor. Valores que o fornecedor devolve ou abate por aquela compra reduzem o custo.
Quais impostos geram crédito depende do regime tributário e da operação. Essa definição é do contador, e o sistema precisa estar configurado de acordo.
Como calcular, na prática
Custo da compra e custo médio
Cada compra tem o seu custo, mas o estoque guarda produtos comprados em datas e preços diferentes. Por isso, a maioria das empresas trabalha com o custo médio ponderado: a cada entrada, o sistema recalcula o custo unitário somando o valor do estoque anterior ao da nova compra e dividindo pela quantidade total. Uma entrada com custo errado distorce o custo médio de todas as vendas seguintes, até o próximo ajuste.
Quer saber quanto o custo real dos seus produtos está acima do preço da nota?
Erros comuns no custo de aquisição
- Formar preço pelo valor da nota. IPI, ICMS-ST e frete ficam de fora, e a margem real é menor do que a calculada.
- Lançar o frete separado e esquecer de levar ao custo. O frete vira despesa do mês, e o produto parece mais barato do que é.
- Somar ao custo um imposto que gera crédito. O erro inverso: o custo fica alto demais e o preço perde competitividade.
- Ignorar a verba do fornecedor. Desconto que chega depois, em boleto ou bonificação, também reduz o custo daquela compra.
- Ajustar o estoque sem informar o custo. Uma entrada avulsa com custo zero derruba o custo médio do produto.
O que muda a partir de 2027
Com a Reforma Tributária, a composição do custo de aquisição muda em três pontos. Primeiro, PIS e Cofins deixam de existir e dão lugar à CBS, com crédito mais amplo nas compras, desde que o tributo tenha sido pago na etapa anterior. Segundo, o IPI tem a alíquota zerada para a maioria dos produtos, com exceção dos que têm industrialização incentivada na Zona Franca de Manaus, o que tira uma linha de custo de muitas notas. Terceiro, o ICMS e o ICMS-ST continuam até a redução gradual de 2029 a 2032, e o IBS segue com alíquota de teste até 2028.
Na prática, o custo de muitos produtos vai mudar nas primeiras entradas de 2027, e os preços formados sobre o custo de 2026 precisarão ser revistos. Como levar o custo até a formação de preço, com margem e desconto, está no post sobre precificação no atacado com ERP.
Como o Yzidro ERP calcula o custo de aquisição
- Digitar a nota à mão → no Yzidro, a entrada é feita pelo XML do fornecedor, e a manifestação do destinatário busca de hora em hora as notas emitidas contra o CNPJ.
- Custo pelo valor da nota → na finalização da entrada, o custo final do produto soma ICMS-ST, IPI, frete, despesas acessórias e seguro, e deduz a verba de fornecedor.
- Despesa fora do produto → outras despesas e seguro informados na entrada são rateados no custo dos itens.
- Preço diferente do combinado → a tela de entrada de mercadoria x pedido de compra compara o valor unitário pedido e o faturado, item a item, com alerta na diferença.
- Custo novo que não chega ao preço → a entrada pode processar preço e estoque, o preço de venda sugerido é efetivado no cadastro ou na conferência de compra, e o cadastro guarda o histórico de alterações de custo e preço.
- Ajuste que distorce o custo médio → a manutenção de estoque permite informar o custo manual da movimentação, e a movimentação analítica mostra o custo médio de cada produto.
- Reforma na entrada → a classificação fiscal da Reforma Tributária pode ser cadastrada na própria entrada, sem sair da tela.
Perguntas frequentes sobre custo de aquisição
O ICMS-ST entra no custo da mercadoria?
Em geral, sim. Na substituição tributária, o imposto da cadeia é pago antecipadamente na compra e a revenda não gera novo débito nem crédito para quem comprou com ST. Por isso, o valor pago entra no custo do produto. O tratamento de cada operação deve ser confirmado com o contador.
Frete pago na compra é custo ou despesa?
O frete pago para trazer a mercadoria até o estoque faz parte do custo de aquisição. Já o frete pago para entregar ao cliente é despesa de venda, e entra na margem de contribuição, e não no custo do produto.
Empresa do Simples Nacional calcula o custo do mesmo jeito?
A lógica é a mesma, mas, em regra, a empresa do Simples não aproveita crédito de ICMS, PIS, Cofins e IPI nas compras. Por isso, esses impostos tendem a entrar integralmente no custo. Com a Reforma, o crédito de CBS e IBS para quem compra do Simples também tem regras próprias.
De quanto em quanto tempo revisar o custo de aquisição?
A cada entrada, porque o custo médio é recalculado automaticamente. O que precisa de revisão periódica é a configuração: quais impostos geram crédito, como o frete é lançado e como as verbas são tratadas. Mudanças de regime e a virada de 2027 são momentos obrigatórios de revisão.
Este conteúdo tem caráter informativo, usa números hipotéticos e reflete a Lei Complementar 214/2025 e as regras publicadas até outubro de 2026. O direito a crédito de cada imposto depende do regime e da operação e deve ser validado com o seu contador.
Seu preço de venda parte do custo real ou do preço da nota?
Fale com o time da Domtec e veja como o Yzidro ERP calcula o custo final de cada produto a partir do XML do fornecedor.