
Reforma tributária: multas começam em 2027, mas empresas já devem se preparar
A reforma tributária sobre o consumo já entrou na rotina das empresas brasileiras, mesmo antes da cobrança efetiva dos novos tributos. A principal novidade é que, segundo informação divulgada pelo Portal Contábeis com base em dados do Ministério da Fazenda e da Agência Brasil, as empresas que ainda não se adaptaram às novas exigências só devem começar a receber multas a partir de 2027.
Isso não significa, porém, que 2026 seja um ano sem obrigações. Pelo contrário: o período atual será usado como fase de teste, orientação e ajuste dos sistemas fiscais. As empresas poderão ser notificadas caso não estejam cumprindo os novos padrões, mas a proposta do governo é dar tempo para regularização antes da aplicação de penalidades.
Na prática, esse intervalo deve ser visto como uma oportunidade para revisar cadastros, parametrizações fiscais, emissão de documentos eletrônicos e integração entre contabilidade, faturamento, estoque e gestão financeira.
Período de adaptação dá mais tempo para as empresas ajustarem seus sistemas
De acordo com o Portal Contábeis, o Ministério da Fazenda informou que as penalidades para empresas que ainda não se adequaram às exigências da reforma tributária sobre o consumo terão início somente em 2027. Até lá, a orientação oficial é manter um período educativo, com foco em adaptação, comunicação e correção de falhas.
Nos próximos meses, empresas que não estiverem seguindo as novas regras poderão receber notificações. No entanto, essas comunicações não terão, neste primeiro momento, caráter punitivo. A ideia é permitir que os contribuintes identifiquem inconsistências e ajustem seus processos antes que o novo modelo comece a gerar cobranças e multas.
Esse ponto é importante porque muitas empresas ainda estão em fase de entendimento sobre como informar CBS e IBS nos documentos fiscais. O desafio não está apenas no cálculo dos novos tributos, mas também na atualização dos sistemas responsáveis por emitir, registrar e transmitir as notas fiscais.
Quase metade das notas fiscais ainda está fora do novo padrão
Segundo dados citados pelo Portal Contábeis e pela Agência Brasil, 45% das notas fiscais emitidas no país ainda não seguem as exigências do novo sistema tributário. Por outro lado, 55% dos documentos já apresentam corretamente as informações relacionadas aos novos tributos.
Esse percentual representa cerca de 12,5 milhões de empresas que já conseguiram adaptar seus documentos fiscais ao padrão esperado para a reforma tributária. O número mostra que a adequação está avançando, mas também evidencia que uma parte significativa do mercado ainda precisa ajustar processos, sistemas e rotinas internas.
Para gestores de indústrias, distribuidoras, comércios e prestadores de serviço, o dado serve como alerta: quanto antes a empresa revisar suas parametrizações fiscais, menor tende a ser o risco de retrabalho quando a obrigatoriedade estiver plenamente ativa.
Empresas podem ser notificadas, mas sem multa imediata
O governo deve usar 2026 como um período de orientação. Empresas que não estiverem cumprindo os novos padrões poderão ser comunicadas para corrigir suas informações, mas sem aplicação imediata de penalidades.
Esse modelo de transição busca reduzir o impacto operacional da reforma tributária. Afinal, a mudança envolve documentos fiscais eletrônicos, novos campos, novas regras de cálculo, integração entre entes federativos e adaptação dos sistemas emissores.
Mesmo sem multa imediata, ignorar essa fase pode ser arriscado. A empresa que deixa para ajustar seus processos apenas quando as penalidades começarem pode enfrentar dificuldades na emissão de notas, inconsistências fiscais, atrasos no faturamento e dependência de correções emergenciais.
Simples Nacional e MEI têm dispensa neste momento
Outro ponto destacado na notícia é que micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional, além dos microempreendedores individuais, estão dispensados dessa obrigação neste momento.
A dispensa, no entanto, não elimina a importância de acompanhar o cronograma da reforma tributária. Mesmo empresas menores devem observar as próximas regulamentações, pois a transição será gradual e poderá exigir novas adaptações nos próximos anos.
Para negócios em crescimento, o ideal é manter a organização fiscal desde já. Isso inclui cadastro correto de produtos e serviços, conferência de NCM, CFOP, CST, alíquotas, natureza das operações e integração entre emissão de nota e controle financeiro.
Notas fiscais de serviço são o maior desafio
Um dos pontos mais sensíveis da adaptação está nas notas fiscais de serviço, conhecidas como NFS-e. Segundo as informações divulgadas, apenas 3,78% dessas notas já seguem o novo padrão exigido.
Esse índice baixo tem uma explicação: as notas de serviço dependem da atualização dos sistemas das prefeituras, que hoje são responsáveis pela cobrança do ISS. Com a reforma tributária, o ISS será substituído gradualmente pelo novo modelo, o que exige adaptação dos municípios e dos emissores utilizados pelas empresas.
Já as notas relacionadas a produtos apresentam maior nível de adequação, pois são controladas pelos estados e estão ligadas ao ICMS, tributo que também será substituído ao longo da transição.
Esse cenário reforça a importância de acompanhar não apenas as regras federais, mas também as atualizações dos ambientes municipais e estaduais. Empresas que emitem diferentes tipos de documentos fiscais precisam observar cada obrigação separadamente.
O que muda com CBS e IBS
A reforma tributária criou um modelo baseado no Imposto sobre Valor Agregado, conhecido como IVA. No novo sistema, os principais tributos sobre o consumo serão reorganizados em dois novos tributos: a CBS e o IBS.
- CBS: Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal.
- IBS: Imposto sobre Bens e Serviços, administrado por estados e municípios.
Embora sejam tributos distintos, a proposta é que o funcionamento seja integrado. O novo modelo prevê uma nota fiscal unificada e um cadastro compartilhado entre os entes federativos.
Para que essa estrutura funcione, as empresas precisam começar a informar os valores de CBS e IBS nas notas fiscais durante o período de teste. Mesmo quando não houver cobrança efetiva, os dados serão usados para calibrar o sistema e apoiar o cálculo das futuras alíquotas.
2026 será o ano de teste da reforma tributária
Durante 2026, a implementação da reforma tributária entra em fase de teste. Nesse período, as empresas deverão destacar nas notas fiscais uma alíquota simbólica de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS.
Esses valores serão utilizados para simulação e adaptação, com dedução dos tributos atuais conforme as regras previstas para a transição. A cobrança efetiva da CBS começa em 2027, quando tributos federais como PIS e Cofins passam a ser extintos.
A partir de 2029, começa a transição gradual para o IBS nos estados e municípios. O processo segue até 2033, quando o novo sistema deve entrar plenamente em vigor, com a substituição dos tributos atuais sobre o consumo.
Agosto de 2026 será um marco importante
Desde janeiro de 2026, as empresas já podem discriminar CBS e IBS nas notas fiscais. No entanto, a partir de agosto de 2026, o preenchimento dessas informações passa a ser obrigatório nos documentos fiscais.
Esse prazo merece atenção especial. Empresas que ainda não revisaram seus sistemas de emissão devem aproveitar os meses anteriores para testar processos, corrigir erros e validar se as informações fiscais estão sendo geradas corretamente.
O governo também informou que os dados inseridos nos documentos fiscais serão usados para calcular a chamada alíquota ideal dos novos tributos. A estimativa mencionada é de que a alíquota-padrão do IVA fique em torno de 26,5%, mas o cálculo definitivo ainda deve ser divulgado.
O regulamento ainda poderá receber sugestões
As normas divulgadas pelo Ministério da Fazenda e pelo Comitê Gestor do IBS ainda poderão passar por aprimoramentos. Empresas e entidades devem ter a possibilidade de enviar sugestões para ajustes no regulamento.
Esse detalhe mostra que a reforma tributária ainda está em fase de construção operacional. Por isso, acompanhar atualizações oficiais será essencial para evitar decisões baseadas em informações incompletas ou desatualizadas.
Para as empresas, o melhor caminho é manter uma rotina de acompanhamento fiscal e contar com sistemas preparados para receber atualizações de regras, campos e parâmetros tributários.
Cronograma da reforma tributária
- 2026: empresas passam a informar CBS e IBS nas notas fiscais, ainda em fase de teste.
- Agosto de 2026: o preenchimento das informações passa a ser obrigatório.
- 2027: começa a cobrança da CBS e ocorre a extinção de tributos como PIS e Cofins.
- 2029 a 2032: acontece a transição gradual para o IBS em estados e municípios.
- 2033: o novo sistema entra plenamente em vigor, substituindo os tributos atuais sobre o consumo.

Como preparar a empresa para a nova fase
O período sem multas deve ser usado de forma estratégica. Em vez de esperar 2027, as empresas podem aproveitar 2026 para revisar seus processos fiscais e reduzir riscos futuros.
Algumas ações importantes incluem:
- verificar se o sistema emissor de notas fiscais está atualizado;
- revisar cadastros de produtos, serviços, clientes e fornecedores;
- conferir se os campos de CBS e IBS estão sendo preenchidos corretamente;
- testar a emissão de documentos fiscais com os novos dados;
- alinhar as rotinas entre financeiro, fiscal, compras, vendas e contabilidade;
- acompanhar novas orientações da Receita Federal, Ministério da Fazenda e Comitê Gestor do IBS.
Esse cuidado é especialmente importante para empresas que emitem grande volume de notas ou trabalham com operações mais complexas, como indústrias, distribuidoras, atacadistas e negócios com múltiplas filiais.
O papel do ERP na adaptação à reforma tributária
A reforma tributária não muda apenas a forma de calcular impostos. Ela também exige controle operacional, integração de dados e precisão na emissão de documentos fiscais.
Nesse cenário, contar com um ERP atualizado faz diferença. Um sistema de gestão ajuda a centralizar informações de vendas, compras, estoque, faturamento, financeiro e emissão fiscal, reduzindo retrabalho e melhorando a confiabilidade dos dados.
O Yzidro ERP, da Domtec Sistemas, apoia empresas que precisam organizar suas rotinas de gestão e acompanhar mudanças fiscais com mais segurança. Com processos integrados, a empresa ganha mais clareza para revisar cadastros, emitir documentos, acompanhar informações fiscais e preparar sua operação para novas exigências.
Conclusão
A informação de que as multas da reforma tributária começam apenas em 2027 traz alívio para muitas empresas, mas não deve ser interpretada como motivo para adiar a adaptação.
O ano de 2026 será decisivo para testar sistemas, corrigir inconsistências e preparar equipes. Empresas que aproveitarem esse período educativo terão mais tranquilidade quando a cobrança efetiva dos novos tributos começar.
Mais do que cumprir uma obrigação fiscal, a adaptação à reforma tributária é uma oportunidade para melhorar processos, revisar dados e fortalecer a gestão. Quanto mais organizada estiver a empresa agora, menor será o impacto da transição nos próximos anos.
Fonte: Portal Contábeis
Fonte: Agência Brasil
Fonte: Ministério da Fazenda